PENSAMENTO PEDAGÒGICO CRITICO (BOURDIEL PASSERON, BOUDELOT E ESTABLET)
Raphaella Albuquerque Alves
RESUMO
As idéias de Bourdieu e Passeron no que concerne ao pensamento da escola divida é que é fato que os alunos de baixa renda são educados apenas para fazê-los trabalhadores. Enquanto as crianças abastadas, são preparadas desde seu ingresso para o mundo acadêmico, embora a situação é bem mais complexa do que parece. A escola está veladamente dividida, pois, vivemos numa sociedade de classe. Enquanto esta “aberração” não for corrigida (tomando como base os autores franceses.) A estrutura social ficará praticamente inalterada e a escola que deveria ser um instrumento de transformação do espírito humano, por mais paradoxal que seja será o principal veiculo para o retrocesso.
PALAVRAS-CHAVE:Pedagogia Crítica, Educação na França, Capitalismo, Classe alta, dicotomia.
INTRODUÇÃO
No presente artigo tomando como base o pensamento dos teóricos da escola Francesa, Pierre Boudieu, Cristian baudelot , Roger Establet... Falaremos sobre o pensamento pedagógico Crítico. Que diz que a escola atual em sua grande totalidade (em países capitalistas) segregam os alunos de classe baixa, pois concentram sua estrutura e continuidade acadêmica essencialmente para os alunos da classe alta. Abordaremos também que a educação do aluno pobre é essencialmente, via de regra, para alimentar as necessidades da industria ou de categorias de trabalho para a classe baixa. E falaremos como estes teóricos críticos apontam soluções para tal situação (o que justifica a nomenclatura de críticos produtivos).
REFERENCIAL TEÓRICO
A finalidade do livro é ordenar e sistematizar a história das ideias pedagógicas, da Antiguidade a nossos dias, e mostrar as perspectivas para o futuro. Meu artigo teve como foco fundamental o Pensamento Pedagógico da Escola Nova através das ideias dos pensadores John Dewey, filófoso, psicólogo e Pedagogo liberal norte-americano que traz a essência do pensamento empírico “o método por descoberta” aquisição do saber é fruto do processo de reflexão sobre a experiência e o trabalho da médica Maria Montessori que chegou a pedagogia por caminhos indiretos. Primeira mulher de seu país a doutorar-se em medicina, seus múltiplos interesses levaram-na a estudos diversos. Dedicou-se inicialmente as crianças deficientes, depois as crianças “normais”. Em 1909 ela publicou os princípios básicos do seu método. Em síntese: ela propunha despertar a atividade infantil através do estímulo e promover a auto educação da criança, colocando meios adequados de trabalhos a sua disposição. O Educador, portanto, não atuaria diretamente sobre a criança, mas ofereceria meios para sua autoformação. Ela sustentava que só a criança é educadora da sua personalidade.
METODOLOGIA
No presente trabalho usamos a metodologia de pesquisa e constatação do resultado da aplicação da tese.
Construímos a metodologia do presente artigo da seguinte forma: Primeiro pesquisamos o breve histórico dos autores na obra citada na bibliografia. Logo em seguida pesquisamos a contribuição dos autores na corrente pedagógica em questão e por fim debatemos com algumas colegas de faculdade como a escola poderia progredir se a educação fosse menos elitizada, como é o padrão acadêmico da escola de países capitalistas.
BOURDIEU PASSERON
Pierre Bourdieu (1930) é um sociólogo francês e professor Universitário. É um pesquisador dos problemas da educação contemporânea. Faz uma dicotomia entre a educação e a estrutura social. Assim conseguiu detectar que há uma forma de seleção natural, pois, observou que grande parte dos alunos que conseguem sua graduação são oriundos das classes mais abastadas. Mas a herança social não explica de forma concisa o sucesso ou fracasso de determinados educandos.
Segundo Bourdieu a estrutura escolar contemporânea está de forma explicita voltada (ou mais próxima) da criança de classe social superior (alta).
A Pedagogia Crítica segundo Bordieu
Para construir sua teoria, Bourdieu criou uma série de conceitos, como habitus e capital cultural. Todos partem de uma tentativa de superação da dicotomia entre subjetivismo e objetivismo. “Ele acreditava que qualquer uma dessas tendências, tomada isoladamente, conduz a uma interpretação restrita ou mesmo equivocada da realidade social”, explica Nogueira. A noção de habitus procura evitar esse risco. Ela se refere à incorporação de uma determinada estrutura social pelos indivíduos, influindo em seu modo de sentir, pensar e agir, de tal forma que se inclinam a confirmá-la e reproduzi-la, mesmo que nem sempre é de modo consciente.Um exemplo disso: a dominação masculina, segundo o sociólogo, se mantém não só pela preservação de mecanismos sociais mas pela absorção involuntária, por parte das mulheres, de um discurso conciliador. Na formação do habitus, a produção simbólica – resultado das elaborações em áreas como arte, ciência, religião e moral – constitui o vetor principal, porque recria as desigualdades de modo indireto, escamoteando hierarquias e constrangimentos. Assim, estruturas sociais e agentes individuais se alimentam continuamente numa engrenagem de caráter conservador. É o caso da maneira como cada um lida com a linguagem. Tudo que a envolve
– correção gramatical, sotaque, habilidade no uso de palavras e construções etc. – está fortemente relacionado à posição social de quem fala e à função de ratificar a ordem estabelecida. Para Bourdieu, todas essas ferramentas de poder são essencialmente arbitrárias, mas isso não costuma ser percebido. “É necessário que os dominados as percebam como legítimas, justas e dignas de serem utilizadas”, afirma Nogueira.
– correção gramatical, sotaque, habilidade no uso de palavras e construções etc. – está fortemente relacionado à posição social de quem fala e à função de ratificar a ordem estabelecida. Para Bourdieu, todas essas ferramentas de poder são essencialmente arbitrárias, mas isso não costuma ser percebido. “É necessário que os dominados as percebam como legítimas, justas e dignas de serem utilizadas”, afirma Nogueira.
Baudelot e Establet
Cristian baudelot e Roger Establet são professores de sociologia da educação na França. A principal tese desses acadêmicos, é que não se pode ter uma “escola única” numa sociedade plural no que concernem as classes. Os fins da educação são subdivididos com base no educando. Pois enquanto o sujeito (aluno) de classe alta é preparado para o mundo acadêmico, o aluno pobre é preparado, de regra, para o mundo do proletariado (do trabalho). A escola, os professores e alunos são apenas vítimas do sistema capitalista dominado pelas elites segundo esses autores.
TEORIAS DE BAUDELOT E ESTABLET
A dualidade estrutural expressa uma fragmentação da escola a partir da qual se delineiam caminhos diferenciados segundo a classe social, repartindo-se os indivíduos por postos antagonistas na divisão social do trabalho, quer do lado dos explorados, quer do lado da exploração. Baudelot e Establet (1971), entre outros teóricos do crítico-reprodutivismo, desvendam a ilusão ideológica da unidade da escola e da existência de um tipo único de escolaridade. Para essa teoria, a escola não é única, nem unificadora, mas constituída pela unidade contraditória de duas redes de escolarização: a rede de formação dos trabalhadores manuais (rede primário-profissional ou rede PP) e a rede de formação dos trabalhadores intelectuais (rede secundário-superior ou rede SS). O dualismo da escola no modo capitalista de produção se manifesta como resultado de mecanismos internos, pedagógicos, de destinação de ‘uns e não outros’ (Souza e Silva, 2003) para os estudos longos em suas fileiras nobres como mecanismo de reprodução das classes sociais. Nessa concepção, para apreender a dualidade estrutural característica da escola capitalista é necessário colocar-se do ponto de vista daqueles que são dela excluídos. A repetência, o abandono, a produção do retardo escolar são mecanismos de funcionamento da escola e que fazem parte de suas características. É sua função discriminar, e isto desde o início da escolarização, na própria escola primária, que também não é única e que também divide. “Seus ‘defeitos’ ou ‘fracassos’ são, em verdade, a realidade necessária de seu funcionamento” (Baudelot & Establet, id., p. 269).
No Brasil, essa diferenciação se concretizou pela oferta de escolas de formação profissional e escolas de formação acadêmica para o atendimento de populações com diferentes origens e destinação social. Durante muito tempo o atual ensino médio ficou restrito àqueles que prosseguiriam seus estudos no nível superior, enquanto a educação profissional era destinada aos órfãos e desvalidos, os ‘desfavorecidos da fortuna’.
A análise do fluxo escolar, no Brasil, neste início de século XXI, aponta para a expulsão da escola de uma imensa parcela da população: apesar da quase universalização do acesso a 1ª série do Ensino Fundamental, apenas 45% dos jovens brasileiros concluem o Ensino Médio. Percebe-se claramente a constituição de dois grupos: aqueles que permanecem no interior da escola e os que dela vão sendo excluídos. Entre os que permanecem, uma nova diferenciação se produz pela desigualdade das condições de escolarização e pela precarização dos programas pedagógicos que conduzem a uma certificação desqualificada, para ‘uns e não outros’.
A dualidade estrutural confirma-se nos limites das classes sociais e da dicotomia histórica entre os estudos de natureza teórica e os estudos de natureza prática. A ‘escola do dizer’ e a ‘escola do fazer’ são, nas palavras de Nosella (1995), as divisões estruturais do sistema educativo no modo capitalista de produção. A escola de formação das elites e a escola de formação do proletariado. Nessa concepção está implícita a divisão entre aqueles que concebem e controlam o processo de trabalho e aqueles que o executam. A educação profissional destinada àqueles que estão sendo preparados para executar o processo de trabalho, e a educação científico-acadêmica destinada àqueles que vão conceber e controlar este processo. Essa visão que separa a educação geral, propedêutica da educação específica e profissionalizante, reduz a educação profissional a treinamentos para preenchimento de postos de trabalho.
Nas análises sobre a dualidade da escola brasileira focaliza-se principalmente o ensino médio:
A literatura sobre o dualismo na educação brasileira é vasta e concordante quanto ao fato de ser o ensino médio sua maior expressão. ... Neste nível de ensino se revela com mais evidência a contradição entre o capital e o trabalho, expressa no falso dilema de sua identidade: destina-se à formação propedêutica ou à preparação para o trabalho? (Frigotto, Ciavatta e Ramos, 2005, p. 31).
CONCLUSÃO
Tomando como base o que foi exposto no presente artigo, concluímos que somente uma educação plural (por haver uma luta de classes implícita: Interesses da classe alta X pobres e explorados). A educação atingirá seu objetivo que é o de ser democrática e oferecer oportunidades de crescimento educacional e social para todos. Pois segundo os teóricos da escola pedagógica crítica, a educação tem que ser reformulada no sentido de que os educando menos favorecidos possam ter ,também, mais participação no mundo acadêmico. Não tendo mais sua educação voltada para crescer a fila de proletariados mal pagos e ignorantes. Tendo como principal solução uma escola mais democrática no sentido amplo da palavra, assim independente de classe social que todos participem dessa mudança e que a escola seja um instrumento de agregação e participação, justificando sua razão de ser, ou seja, deixar o espírito humano indomável.
BIBLIOGRAFIA
GADOTTI, Moacir. Histórias das Ideias Pedagógicas- 8° edição- São Paulo: Ática, 1999.